Pessoas Especiais

    Gabriel tem 40 anos e é portador de deficiência mental grave. Vive com os pais, os quais estão próximo dos 80 anos de idade, mas estão em boa forma física e psicológica. Gabriel nunca foi à escola, foi educado em casa pelos pais, que o adoram e protegem intensamente.  

    É o filho mais novo deste casal, foi sempre o bebé da família. Os dois filhos mais velhos, há muito que saíram de casa, e vivem no estrangeiro, onde têm vidas estáveis. No entanto, mantêm o contacto regular, com os pais e com o irmão.  

Gabriel sente-se bem com os pais, gosta de estar em casa. Frequenta, algumas vezes por semana, um Centro de Atividade Ocupacionais, onde se sente integrado. Apesar de ser muito tímido, é muito acarinhado por todos e tem facilidade em estabelecer relações sociais. Apresenta uma grande dificuldade em expressar-se oralmente, mas consegue fazer-se compreender, utilizando gestos. É muito simpático e perspicaz.  

    É pouco autónomo no que diz respeito às atividades de vida diária: Gabriel depende completamente da mãe no que toca a vestuário, alimentação higiene. No entanto, não tem qualquer dificuldade em efetuar estas atividades, apenas foi habituado desta forma.  

    Com o avançar da idade, os pais de Gabriel ponderam entrar num lar para idosos, apesar de se encontrarem bem de saúde. Consideram que é uma forma de assegurarem o futuro de Gabriel, uma vez que são o único apoio que este tem e assim não o deixam desprotegido. Recentemente, inscreveram-se num Lar com boas condições e, apesar do Gabriel ainda ser jovem, irá entrar no Lar juntamente com eles. (Fernandes, 2022)


Analisando este caso, a etapa do ciclo de vida em que o Gabriel se encontra é a meia-idade, no entanto, esta não corresponde à sua situação uma vez que sendo um homem portador de deficiência mental grave, pouco autónomo e com limitações comunicativas não tem as características típicas desta etapa.  

Já os pais do Gabriel, encontram-se na terceira idade, pois já ultrapassaram todas as fases características da meia-idade.  

Neste caso, as características da meia idade não se verificam uma vez que não estamos perante um padrão normal, ou seja, o Gabriel não possui uma carreira profissional, relações amorosas, descendentes, nem possibilidades para cuidar dos pais, uma vez que, não é sequer autónomo.

Por sua vez, apesar dos pais não se apresentarem na etapa da meia-idade, aquando nessa circunstância houve vários eventos que não correram conforme as expectativas, tais como, a reforma como uma perspectiva de descanso e o “esvaziamento do ninho” (Fernandes, 2022), visto que, apenas dois dos seus filhos se tornaram completamente independentes e seguiram o seu percurso de vida.  

Apesar da situação diferente desta família, consideramos que os pais do Gabriel não se encontram em risco de desenvolver Burnout, tendo em conta, que esta é "uma resposta prolongada a stressores físicos e emocionais crónicos que culminam em exaustão e sentimentos de ineficácia" (Maslach et al., 2001), e neste caso, esta situação, não se verifica.  (Fernandes, 2022)

Estes sentem-se bem fisicamente e psicologicamente, sendo a sua entrada no lar apenas uma medida para garantirem a continuidade da prestação de cuidados por parte deles mesmos ao seu filho beneficiando de mais alguma ajuda, inevitavelmente.  

Considerando também, que sempre acharam correto e se esforçaram para proporcionar estes cuidados ao seu filho, não havendo por isso um sentimento de imprestabilidade, não culminando em exaustão. 

Numa perspectiva de continuação da prestação de cuidados, enquanto futuras enfermeiras, concordamos com a solução que os pais do Gabriel encontraram para o proteger, nomeadamente a sua ida para o lar, uma vez que, para esta pessoa podia-se gerar uma crise caso fosse separado dos pais. 

Os principais obstáculos à adaptação do Gabriel nesta nova situação da sua vida, serão a mudança de habitação, pois este não estará na sua casa à qual está habituado, assim como o contacto com novas pessoas, que já por si era difícil na outra instituição onde se encontrava há mais anos devido à sua timidez e à sua dificuldade comunicativa, apesar de ser simpático e conseguir estabelecer relações. 

Além disso podem surgir novos cuidadores, o que lhe pode provocar algum desconforto.

À luz do tema do nosso Blog, este caso traz-nos uma importante faceta dos Eventos não Normativos. Podemos considerar que a doença mental grave do Gabriel é um acontecimento invulgar que tem um impacto importante nas vida desta família, por isso, não normativo.

Devido à dificuldade cognitiva do Gabriel com base em Piaget e na sua Teoria, pensamos que na fase de infância este não desenvolveu de forma comum os estádios definidos pelo autor, tendo em conta que outrora não foi uma criança construtora do seu próprio mundo, ou seja, independente e ativa. (Fernandes, 2022) Desta forma, os estádios qualitativamente diferentes não foram alcançados pois foi-lhe difícil descobrir novas formas de pensar e responder ao ambiente, consequente da sua condição biológica.

Relativamente a Erikson, consideramos que não temos informação suficiente para inferir alguma falha no percurso da construção da sua identidade, pois apesar da sua incapacidade este pode ter gerido os dilemas das várias fases de vida de uma forma diferente. Podemos contudo supor que o Gabriel é capaz de estabelecer relações afetivas.

Este caso é completamente diferente do da Genie visto que o Gabriel tinha uma pré-condição biológica mas nenhuma ambiental, e por isso havia uma possibilidade de estabelecer relações, e nesta verificava-se o contrário onde acabou-se por criar uma condição biológica devido ao ambiente.



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Referências:
Fernandes, H. (2022). Psicologia no Ciclo Vital I [unidade curricular do curso de licenciatura em Enfermagem].Setúbal, Portugal: Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal. 

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